Igreja e Magia

Por Simone Omena em 12/04/2025

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Sabendo um pouquinho mais sobre Igreja e Magia:

Na Idade Média (séculos V ao XV), a Igreja Católica ganhou enorme poder econômico (possuindo muitas terras), poder político (grande influência nas decisões dos reinos), poder jurídico (interferindo na elaboração das leis) e poder social (estabelecendo os padrões morais da sociedade).

Suas verdades eram incontestáveis, não permitindo posições ou opiniões contrárias aos dogmas existentes. As sociedades desse período, e das eras anteriores ao período moderno, fundamentavam suas crenças nas religiões pagãs.

A magia possui raízes pré-históricas (estima-se cerca de 20.000 anos de existência). Chegou ao Ocidente por volta de 4.000 a.C. e mantém laços com os cultos xamânicos.

Os povos primitivos adoravam as Deusas da Fertilidade, e as mulheres ocupavam posição de destaque. Eram respeitadas devido ao poder da maternidade. A fertilidade remetia à natureza e aos seus ciclos. Conheciam os poderes das ervas, das fases da lua e da própria natureza. Esse conhecimento era transmitido oralmente de geração em geração.

Na Idade Média, as camponesas recorriam às ervas para curar doenças e realizavam partos. Conhecidas como feiticeiras ou bruxas, seus poderes eram socialmente reconhecidos: prestavam auxílio à população, mantinham contato com os deuses e faziam previsões para facilitar decisões pessoais ou da comunidade.

Nesse período, surgem na Europa rumores de conspirações que visavam à destruição do Cristianismo por meio da magia e do envenenamento. O pânico se instala e se intensifica com a chegada da peste negra (século XIV), que dizimou parte da população.

A Caça às Bruxas teve início no final da Idade Média, representando uma perseguição religiosa e social. Estima-se que cerca de 50.000 pessoas tenham sido vítimas (alguns autores falam em até 100.000).

Na metade do século XV, a perseguição se espalha pela Europa (Suíça, Alemanha), tendo sido iniciada na Inglaterra e na França. Por razões políticas, religiosas e de poder, a Igreja Católica e, mais tarde, a Igreja Protestante, por meio da Inquisição, perseguiu, prendeu, torturou, enforcou e queimou em fogueiras todos os considerados bruxos ou hereges, como forma de "salvar suas almas".

O Martelo das Feiticeiras (Malleus Maleficarum), de 1486, tornou-se o mais famoso manual de caça às bruxas, marcando uma das páginas mais sombrias do Cristianismo. Através dele, o Tribunal do Santo Ofício aplicava suas sentenças.

A mulher, antes considerada sagrada por sua fertilidade, passou a ser vista como um agente de Satanás, supostamente capaz de causar os mais diversos males à natureza, aos homens e aos animais. Assim, o Diabo passou a ser vinculado à magia e responsabilizado por tudo de ruim que acontecesse em qualquer esfera.

A caça às bruxas durou quase cinco séculos, encerrando-se no século XVIII. Ironicamente, seu período mais intenso foi entre os anos de 1550 e 1650, justamente quando o mundo presenciava o nascimento da chamada Era da Razão.

"E eu teria sido queimada..."

Quem é o Diabo?

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